O vovô cismou que precisa ser saudável. A gente segue as
recomendações médicas para isso, alimentação e outras coisas. Só que ele
decidiu que vai caminhar todos os dias e quer provar que pode fazer isso
sozinho.
Entenda, vovô não enxerga bem e a gente teme que ele caia.
Nos fins de semana, eu ou algum outro neto o levamos para passear na pracinha
do bairro. Às vezes, um passeio de carro até alguma outra praça da cidade que
ele podia frequentar quando era mais novo.
É difícil controlar um senhor nessa idade. Não gostamos de
ficar limitando as vontades que ele tem, atualmente são poucas. Pedimos então
ao pessoal da rua que ficassem de olho no vovô durante a caminhada, não dá para
acompanhá-lo todos os dias e, de qualquer forma, ele insiste que precisa ir
sozinho.
Dia desses ele voltou dizendo que está para arrumar uma
namorada nova. Uma jovenzinha que paquera com ele da janela de casa. Vovô
contou que há muito ela estava de olho nele, todos os dias durante o passeio, mas
ele nunca achou que fosse com ele, já que ela é tão jovem e ele já é mais
‘experiente’, como ele próprio gosta de dizer.
Um dia ele arriscou e começou a conversar com a moça que é
muito tímida e retribui tudo com um sorriso simpático e ao mesmo tempo envergonhado.
Vovô veio me perguntar como os rapazes de hoje convidam a moça para sair. Ele
quer levá-la ao café da rua de baixo, na esperança de que possam conversar e
quem sabe aonde a vida vai levá-los.
Achei o caso curioso e consegui uma brecha para seguir o
vovô no passeio de hoje. Ri como criança. Ele ainda não se deu conta, mas está
apaixonado por uma dessas namoradeiras que ficam de enfeite nas janelas. Dizem
que a velhice nos transforma em criança novamente. Melhor acreditar nisso e
dizer que vovô tem uma bela imaginação do que culpar a visão ruim e cortar o
barato.
adorei Lari.
ResponderExcluirdandancoelho.
tem uma dessas na minha casa, será que alguém já se apaixonou por ela?
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